quarta-feira, março 21, 2007

O mercador e o Indivíduo

Um indivíduo senta-se à mesa para tomar o seu chá das 17:00h como de costume. Louça de porcelana revestida por detalhes dourados, de asa peculiarmente desenhada em formato tradicional. Era uma peça rara, daquelas que encontramos em antiquários, de famílias antigas e muito ricas. Para todo e qualquer visitante que aparecesse na sua casa, o indivíduo fazia questão de mostrar que era uma peça original, e não umas dessas réplicas fajutas encontradas por aí em qualquer loja. Ele havia comprado na mão de um viajante que trouxera da Europa e que lhe garantira, àquele conjunto de xícara e pires, não existia outro igual. Só ele o tinha. Era único.
Um dia, um mercador indiano bateu-lhe na porta com uma mala na mão e ofereceu ao indivíduo um jogo de jantar. Este, então, não lhe deu ouvidos e respondeu que não queria, pois já havia a mais bela das louças em sua casa. Coisa linda e sem igual em todo o mundo. Era quase sua impressão digital. O mercador não fez cara ruim, apenas pediu ao senhor que pudesse usar o banheiro e um copo de água. O tradicional homem não recusou e mandou que o indiano entrasse. O banheiro ficava na segunda porta à esqueda do corredor.
No banheiro, o mercador mexeu na maleta. Futucou, futucou, e fechou-a novamente. Já na sala, ele pôde observar a louça em cima da mesa. Bebeu aquela água com muita sede, mas a sede dele não era somente a sede de água. Então pediu mais água. O homem do chá não gostou muito. Achou que já era abuso, mas não se negou. O mercador, então, bebeu essa água com ainda mais sede. Enquanto a água descia goela abaixo, o riso ia aparecendo estranhamente na sua face, porém, disfarçado pelo copo. Terminou o último gole, colocou o copo em cima da mesa, agradeceu e foi embora.
O indivíduo atordoado, dirigiu-se para a biblioteca para ler o jornal, mas quando olhou no relógio, já era quase hora do seu chá. Correu então para a cozinha, colocou a água no fogo, separou os ingredientes do chá - maracujá, maçã e uma colher de sopa de açucar. Foi até a sala para pegar a sua xícara, e junto dela encontrou o copo de água que o mercador indiano havia usado e um bilhete que dizia: "made in taiwan". O indivíduo, injuriado, olha com raiva para aquela louça lançando-a de cima da mesa no chão, partindo-a em vários pedaços.
Há léguas daquela casa, o mercador indiano bate na porta de alguém e oferece uma louça original, peça única que pertencera a uma família rica do passado. Louça de porcelana revestida por detalhes dourados, de asa peculiarmente desenhada...

segunda-feira, março 19, 2007

Poema de Amor em Rock'n Roll

Essa noite eu sonhei com você
Sonhei que não eras um sonho
Sonhei que podia te tocar
Não era um sonho lúcido, era apenas sonho

Essa noite eu não queria sonhar com você
E ter aquilo que não tenho em um mundo irreal
Não era sua presença, era apenas um sonho

Essa noite eu não sei o que aconteceu
Pra sonhar assim com você
Tentando te esquecer, me aparece você
Materializado num sonho pra mim

sexta-feira, março 16, 2007

Mais uma de Amor

Escrever pra dizer que estou com saudades, não vai diminuir o que estou sentindo.
Afagar essa dor que me corrói, é algo que não faz parte do meu domínio.
Que amar é sofrer, isso descobrimos assim que nascemos, mas que nos apaixonar é o mesmo que nos perder, isso só descobrimos com o tempo. E ao nos perdermos, ficamos cegos e surdos.
Alimentamos o nosso próprio mundo num surrealismo profundo.
É verdade, razão e emoção não combinam.
Pelo individualismo do coração somos contaminados, e com o egoísmo da emoção, deixamos a mente de lado. É dificil o coração aceitar as contrariedades da vida. É difícil de se entregar. Porque ele nos ludibria, nos hipnotiza, e quando vemos, nossos pés já estão muito distantes do chão. Quando caímos, é como derrubar em solo asfaltado um cristal de vidro. Sentimos o coração partido em pedaços.