sábado, janeiro 17, 2015

(In)Direta

Se a carapuça servir é melhor refletir


Ontem eram sorrisos e felicidade. Abraços, beijos e felicitações. A mais plena e perfeita harmonia.

Hoje o vidro derreteu e deformou, inesperadamente.

A face da felicidade despenca.
Daquela boca cheia de risos caem os dentes e restam apenas os julgamentos.
Os beijos transformam-se em armas incandescentes e as felicitações em calúnias, injúrias e difamações.

É muito fácil olhar-se no espelho todos os dias e ver o superficial. O difícil está em olhar dentro de si sem as viseiras da vergonha e admitir quem se é.
É muito mais cômodo responsabilizar os outros pela construção da própria mente doentia preenchida por sentimentos ruins. O difícil é aceitar que eles estão dentro de você, e que é o único responsável por alimentá-los.

A visão egocêntrica da superioridade é capaz de transformar as pessoas mais inteligentes no mais fiel retrato da mediocridade. Aqueles que estão acostumados a subestimar a capacidade dos outros são os mais dignos de pena. São essas pessoas, geniais, tão juris dos defeitos alheios quanto incapacitados de darem-se conta dos erros mais tolos e estapafúrdios que cometem. E pior, são pessoas incapacitadas de serem melhores do que aqueles que elas julgam inferiores. Mas isso elas também não vêem (mais uma incapacidade). Elas se transvestem com a cara da alegria, mas sentem na pele a infelicidade. São a própria hipocrisia, mas vão dizer que é você o ator dos gestos "falsos" que não conseguem ter e não suportam ver alguém fazer com prazer.

Para descobrir quem essas pessoas são e onde elas estão basta fazer o bem sem olhar a quem. A felicidade incomoda. As máscaras caem.

quinta-feira, junho 19, 2014

Expurgo

Quero arrancar fora toda a minha roupa e me libertar de tudo que possa me ocultar, inclusive, os pensamentos. Quero vomitar todos os meus pudores, arrancar todo o meu cabelo, desacorrentar minha alma e caminhar nua, contra o vento forte, ignorando os olhares tórridos. E, com a cabeça erguida, seguir adiante.

Quero alcançar a plenitude das sensações do que me toca. Da língua que me lambe. Do hálito. Da boca. Do que me beija ao que me corta.

Quero sentir o paradoxo entre as mãos que me acariciam o corpo e o sangue que, sobre minha pele, escorre. Rastejar o chão frio e imundo e sentir se misturar em meu corpo toda a sujeira que vem de fora. Que vem de dentro. Da mão do afago e também do asfalto.

Quero dilacerar a minha carne. Tocar o osso. O fundo do poço. E depois de sangrar todo o meu sangue em uma hemorragia, me fazer branca massa de modelar nos primeiros passos dos próximos dias.

quinta-feira, dezembro 12, 2013

Tudo na vida tem limites. Mas a gente não precisa ser limitado.®

;)